Valdemar Costa Neto: de condenado por corrupção no mensalão a um dos homens mais poderosos do Brasil em 2027
Ex-aliado de Lula, condenado pelo STF por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, o presidente do PL comandará o partido com as maiores bancadas da Câmara e do Senado a partir de 2027.

Ele não disputou a Presidência da República, não precisou conquistar um mandato parlamentar e tampouco estará necessariamente ocupando um cargo público em 2027. Ainda assim, Valdemar Costa Neto, presidente nacional do Partido Liberal (PL), terá influência sobre uma das maiores estruturas de poder do Congresso Nacional.
O partido comandado por Valdemar elegeu 121 deputados federais e terá 28 senadores a partir de fevereiro de 2027. Os números colocam o PL à frente das demais legendas nas duas Casas do Legislativo e ampliam sua participação nas negociações sobre projetos, comissões, presidências parlamentares e distribuição de recursos partidários.
Mas a trajetória do dirigente carrega um capítulo que não pode ser ignorado: Valdemar Costa Neto foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no escândalo do mensalão, ocorrido durante o primeiro governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
O passado com Lula e o mensalão
Antes de se tornar um dos principais articuladores da legenda que abriga o bolsonarismo, Valdemar foi aliado político do PT.
Em 2002, o PL integrou a chapa que levou Lula à Presidência, indicando José Alencar como candidato a vice-presidente.
A aliança, entretanto, acabaria associada a um dos episódios de corrupção mais conhecidos da história política brasileira.
Segundo o Supremo Tribunal Federal, Valdemar recebeu recursos indevidos em troca do apoio de seu partido ao governo federal. A investigação identificou operações de lavagem de dinheiro relacionadas ao esquema de compra de apoio parlamentar.
A Agência Brasil registrou que, conforme o entendimento dos ministros, Valdemar recebeu R$ 8,8 milhões entre 2003 e 2004 para apoiar matérias de interesse do governo no Congresso.
Em depoimento à CPI do Mensalão, em 2005, o próprio Valdemar admitiu ter utilizado recursos não contabilizados oficialmente para pagar despesas da campanha presidencial de Lula em 2002. Na ocasião, afirmou que o então presidente desconhecia as operações.
Em 2012, o STF fixou sua condenação em sete anos e dez meses de prisão pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro.
Valdemar começou a cumprir a pena em dezembro de 2013. Em 2016, teve a punição extinta após receber indulto previsto em decreto da então presidente Dilma Rousseff, benefício concedido mediante requisitos legais.
Da condenação ao comando de uma bancada histórica
Mais de uma década depois do mensalão, Valdemar permanece à frente do PL, agora fortalecido pelo crescimento eleitoral do partido.
A legenda se consolidou como principal abrigo político de Jair Bolsonaro e de seus aliados. Nas eleições de 2026, conquistou uma representação parlamentar que ampliará sua capacidade de participar das decisões legislativas.
O presidente do partido já atua nas articulações para a próxima legislatura. Entre seus objetivos está a eleição do senador Rogério Marinho (PL-RN) para a presidência do Senado em 2027.
Embora o tamanho das bancadas não garanta aprovação automática de propostas, a presença do PL nas duas Casas aumenta seu peso nas negociações com outras forças políticas.
Um personagem central, independentemente do presidente eleito
A influência de Valdemar em 2027 não dependerá exclusivamente do resultado do segundo turno presidencial entre Lula e Flávio Bolsonaro.
A bancada parlamentar eleita já assegura ao PL uma posição relevante no Congresso. Entretanto, o exercício desse poder dependerá de alianças, da disciplina dos parlamentares e da composição das mesas diretoras.
O contraste entre passado e presente é um elemento central de sua biografia política: o dirigente que foi condenado por receber dinheiro em troca de apoio ao governo Lula hoje comanda o partido que concentra uma parcela expressiva da oposição ao presidente.
A história de Valdemar Costa Neto reúne alianças com governos de diferentes orientações políticas, uma condenação criminal e a construção de uma estrutura partidária de alcance nacional.
Em 2027, sua atuação estará no centro das articulações do Congresso. E sua trajetória continuará acompanhada por um fato judicial documentado: o homem que preside o PL já foi condenado pelo Supremo por corrupção e lavagem de dinheiro em um esquema de compra de apoio parlamentar durante o primeiro governo Lula




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