São Paulo tem 72% menos dias de calor em 2026; inverno histórico ajuda a explicar fenômeno
Levantamento de O Brasileiro, com base em dados do INMET, aponta queda expressiva na frequência de dias com temperatura média igual ou superior a 25 °C. Frentes frias, massas de ar polar e condições oceânicas podem ajudar a explicar o fenômeno.

Quem vive em São Paulo provavelmente já percebeu: em 2026, os dias de calor persistente parecem ter se tornado menos frequentes. E os números de um levantamento realizado pelo jornal O Brasileiro, com base nos registros do Instituto Nacional de Meteorologia, o INMET, reforçam essa percepção.
Entre janeiro e setembro de 2025, a capital paulista registrou 32 dias com temperatura média diária igual ou superior a 25 graus Celsius. No mesmo período de 2026, foram apenas nove dias.
Isso representa uma redução de aproximadamente 72% na quantidade de dias considerados quentes pelo critério adotado na pesquisa.
O levantamento utiliza como referência a estação meteorológica do Mirante de Santana e considera a temperatura média ao longo do dia, e não apenas os picos de calor registrados durante a tarde.
Por que São Paulo teve menos dias de calor?
A explicação pode estar relacionada a uma combinação de fenômenos atmosféricos e oceânicos.
Segundo informações atribuídas ao Centro de Gerenciamento de Emergências Climáticas, o CGE, da Prefeitura de São Paulo, o inverno de 2026 foi excepcionalmente chuvoso.
O período teria registrado 417,1 milímetros de precipitação, diante de uma média histórica de 130,5 milímetros. Em 2025, o acumulado teria sido de apenas 87 milímetros.
Uma das possíveis explicações está nas condições das águas do Oceano Atlântico Sul, especialmente nas proximidades do Uruguai e do Rio Grande do Sul.
Temperaturas oceânicas abaixo da média podem influenciar a circulação atmosférica e a trajetória de sistemas meteorológicos.
A passagem de frentes frias, acompanhada pela entrada de massas de ar polar, contribui para a formação de nuvens, a ocorrência de chuvas e a redução das temperaturas.
Quando a nebulosidade permanece durante vários dias, menos radiação solar chega à superfície. Isso dificulta o aquecimento do ar e pode impedir que a temperatura média diária alcance os 25 graus.

O papel do El Niño
O El Niño é um fenômeno climático caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial.
Embora esteja associado a alterações nos padrões de temperatura e precipitação em diferentes regiões do planeta, seus efeitos não são uniformes.
A presença do fenômeno não significa que todas as cidades brasileiras terão temperaturas elevadas continuamente.
Em setembro de 2026, por exemplo, a atuação de sucessivas frentes frias sobre o centro-sul do Brasil teria contribuído para períodos prolongados de instabilidade.
A combinação desses sistemas com áreas de baixa pressão e correntes de umidade vindas da Amazônia pode favorecer a formação de nuvens e a ocorrência de chuvas persistentes.
Com menor incidência de radiação solar e a entrada de ar de origem polar, as temperaturas podem permanecer relativamente baixas durante vários dias consecutivos.
Setembro foi um mês fora do comum
O mês de setembro exemplifica esse comportamento.
Segundo os dados atribuídos ao CGE, a cidade teria acumulado 294,3 milímetros de chuva até o dia 22, um volume excepcional para o período.
Os registros também apontam episódios de precipitação intensa em diferentes localidades paulistas, associados à passagem de frentes frias e à formação de áreas de instabilidade.
Esse cenário ajuda a compreender por que dias de calor persistente podem ter sido menos frequentes, mesmo em uma metrópole conhecida por apresentar grandes oscilações de temperatura.
Isso significa que São Paulo está ficando mais fria?
Não necessariamente.
A redução na quantidade de dias com temperatura média igual ou superior a 25 graus não comprova que São Paulo esteja passando por um processo duradouro de resfriamento.
Para identificar uma tendência climática, seria necessário analisar séries históricas mais extensas, considerando temperaturas médias anuais, máximas, mínimas, eventos extremos e padrões de precipitação.
Uma comparação entre dois anos pode revelar diferenças importantes, mas não é suficiente para estabelecer uma mudança permanente no clima.
O que os dados preliminares indicam é que, entre janeiro e setembro de 2026, São Paulo apresentou uma frequência significativamente menor de dias com calor persistente em comparação com o mesmo período de 2025.
A atuação de frentes frias, a nebulosidade e as condições oceânicas oferecem hipóteses meteorológicas plausíveis para explicar parte desse comportamento.




Comentários