top of page

Daniella Marques, braço direito de Flávio Bolsonaro, integrou conselho de banco investigado por suspeitas de fraude

há 11 minutos
3 min de leitura

Ex-presidente da Caixa participou da administração do Digimais, instituição de Edir Macedo investigada pela Polícia Federal. Banco enfrenta crise financeira e teve operações comparadas às do Banco Master.



A economista Daniella Marques Consentino, ex-presidente da Caixa Econômica Federal e uma das principais responsáveis pela formulação do programa econômico de Flávio Bolsonaro (PL), tem em seu currículo uma passagem pelo Conselho de Administração do Banco Digimais, instituição controlada pelo bispo Edir Macedo, fundador da Igreja Universal do Reino de Deus.


A informação, revelada pelo portal Metrópoles, ganhou relevância após a Polícia Federal deflagrar a Operação Miragem, em junho de 2026, para investigar suspeitas de fraudes financeiras, manipulação de balanços e irregularidades na administração do banco.

Segundo registros da Junta Comercial de São Paulo, Daniella integrou o conselho entre fevereiro de 2024 e dezembro de 2025. Sua atuação ocorreu durante um período em que a instituição enfrentava dificuldades financeiras e tentava encontrar alternativas para sua continuidade.


É importante destacar que Daniella Marques não foi alvo da operação da Polícia Federal e não há, nas informações consultadas, acusação criminal contra ela relacionada ao caso.


Um banco sob suspeita e bilhões em jogo


A situação do Digimais ganhou dimensão nacional depois que investigadores identificaram operações financeiras consideradas suspeitas, incluindo a possível superavaliação de ativos e a apresentação de demonstrativos contábeis que não refletiriam a real condição patrimonial da instituição.


De acordo com a Folha de S.Paulo, a investigação identificou ativos que teriam recebido avaliações muito superiores aos valores reais, além de operações envolvendo aproximadamente R$ 600 milhões em carteiras de crédito adquiridas do Banco Master, instituição de Daniel Vorcaro posteriormente liquidada pelo Banco Central.


A Justiça autorizou o bloqueio de até R$ 670 milhões em bens relacionados aos investigados.

A revista piauí também revelou discussões envolvendo um possível rombo de R$ 8,5 bilhões e negociações para evitar a quebra do Digimais. Esse valor, entretanto, não representa uma perda definitivamente apurada ou uma liquidação já decretada.


Qual foi a responsabilidade de Daniella Marques?


A passagem de Daniella pelo conselho levanta questionamentos legítimos sobre os mecanismos de fiscalização interna da instituição.

Conselhos de administração têm a responsabilidade de acompanhar a estratégia empresarial, supervisionar a diretoria e avaliar riscos relevantes para a continuidade das operações.


Isso não significa que seus integrantes tenham conhecimento de todas as transações realizadas pelo banco, tampouco que sejam automaticamente responsáveis por eventuais irregularidades cometidas por executivos.


Mas existe uma questão de interesse público: quais informações sobre a situação financeira do Digimais foram apresentadas aos conselheiros durante o período em que Daniella ocupou o cargo?

Também é relevante esclarecer se houve alertas internos, recomendações de auditoria ou manifestações dos conselheiros sobre as operações que posteriormente passaram a ser investigadas.

Até o momento, as informações públicas consultadas não permitem responder a essas perguntas de maneira conclusiva.


Da Caixa ao núcleo econômico de Flávio Bolsonaro

Daniella Marques construiu sua trajetória profissional no mercado financeiro e ganhou projeção nacional ao integrar a equipe do então ministro da Economia, Paulo Guedes, durante o governo Jair Bolsonaro.

Em julho de 2022, assumiu a presidência da Caixa Econômica Federal, cargo que ocupou até janeiro de 2023.


Posteriormente, aproximou-se da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro, tornando-se uma das principais interlocutoras do candidato com empresários e representantes do mercado financeiro.

Sua influência ultrapassou a elaboração de propostas econômicas. Daniella também passou a participar de compromissos políticos e a defender iniciativas voltadas ao empreendedorismo feminino e à redução de gastos públicos.


O histórico também precisa ser examinado


A presença de Daniella Marques no comando da estratégia econômica de um candidato à Presidência torna sua trajetória profissional assunto de interesse público.


A experiência no setor financeiro é frequentemente apresentada como uma credencial para a condução da política econômica. Pelo mesmo princípio, passagens por instituições que posteriormente enfrentaram investigações relevantes merecem transparência e esclarecimentos.


O caso Digimais não autoriza concluir que Daniella tenha participado de fraudes. Entretanto, sua atuação no conselho durante parte do período de dificuldades financeiras do banco justifica perguntas sobre os procedimentos de governança e fiscalização adotados pela instituição.


O Banco Digimais afirmou anteriormente que colaborava com as autoridades e que seu plano de reestruturação buscava fortalecer a situação patrimonial e preservar a continuidade das operações.

Para além das disputas eleitorais, o episódio reforça a importância de que figuras públicas responsáveis pela elaboração de políticas econômicas prestem esclarecimentos sobre suas experiências profissionais, especialmente quando envolvem instituições submetidas a investigações de grande repercussão.


A questão central não é antecipar culpados, mas assegurar transparência. A mesma exigência deve valer para integrantes de qualquer governo ou campanha presidencial.

 
 
 

Comentários


ChatGPT Image 21 de set. de 2026, 23_02_58.png
bottom of page