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Polícia investiga mortes de bebês após cirurgias em hospital particular de São Paulo

há 11 minutos
3 min de leitura

Ao menos seis mortes são investigadas pela Polícia Civil; representante de famílias afirma ter conhecimento de 19 casos registrados nos últimos seis meses. Hospital nega que haja evidências de uma origem infecciosa comum.



A Polícia Civil de São Paulo investiga as circunstâncias das mortes de pelo menos seis crianças após atendimentos e procedimentos cirúrgicos no Hospital Salvalus, localizado na Mooca, Zona Leste da capital paulista. A unidade pertence à rede Hapvida, do grupo NotreDame Intermédica.


Segundo informações divulgadas pela TV Globo, as vítimas tinham entre zero e três anos e há suspeitas de que algumas tenham desenvolvido infecções hospitalares, evoluindo para quadros de sepse e outras complicações graves.


As investigações estão concentradas no 8º Distrito Policial, responsável por reunir documentos, ouvir testemunhas e analisar os prontuários médicos para determinar as causas dos óbitos e verificar possíveis responsabilidades.


Famílias relatam pelo menos 19 mortes


Embora a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo confirme inicialmente seis casos sob investigação, o número de famílias que relatam situações semelhantes pode ser significativamente maior.


A assistente jurídica Eduarda Fragnan Gomes, que representa três mães, afirma ter conhecimento de pelo menos 19 mortes de crianças submetidas a procedimentos cirúrgicos no hospital nos últimos seis meses.


Segundo ela, parte dos pacientes havia sido encaminhada à unidade para cirurgias corretivas, digestivas ou relacionadas a malformações. As famílias alegam que os procedimentos apresentavam baixo risco de morte, mas que as crianças desenvolveram complicações infecciosas posteriormente.


Registros policiais também teriam sido realizados em delegacias de Praia Grande, Itaquaquecetuba e outros bairros da capital. Entretanto, nem todos os casos foram encaminhados à delegacia responsável pela investigação centralizada.


A representante das famílias informou que novos boletins de ocorrência deverão ser registrados nos próximos dias, ampliando o número de relatos submetidos à análise das autoridades.


Polícia analisa prontuários e ouve profissionais de saúde


A Secretaria da Segurança Pública informou que a Polícia Civil realiza diligências para esclarecer as circunstâncias das mortes.


Entre as medidas adotadas estão a análise dos históricos médicos, a coleta de depoimentos de profissionais de saúde e a oitiva de testemunhas.

Uma das principais questões investigadas é se existe alguma relação entre os óbitos e possíveis infecções adquiridas durante a internação.


A sepse é uma reação potencialmente fatal do organismo a uma infecção, capaz de provocar disfunção de órgãos. Sua ocorrência, entretanto, não comprova isoladamente que a infecção tenha sido adquirida no ambiente hospitalar ou que tenha ocorrido falha na assistência médica.


Até o momento, não há conclusão oficial que estabeleça uma causa comum para as mortes ou responsabilidade do hospital.


Hospital contesta associação entre os casos


Em manifestação encaminhada à imprensa, o Hospital Salvalus afirmou tratar as denúncias com seriedade, mas destacou que os pacientes apresentavam condições clínicas distintas.


A instituição ressaltou que atua no atendimento de gestantes e crianças em situações de alta complexidade, incluindo casos de prematuridade extrema, malformações congênitas, síndromes genéticas e infecções graves.


Segundo o hospital, mais de mil crianças receberam atendimento na unidade ao longo deste ano.

A administração informou ainda que suas avaliações internas não identificaram, até o momento, uma origem infecciosa comum entre os casos examinados.


O Salvalus também declarou não ter recebido notificação formal sobre os procedimentos mencionados na reportagem e afirmou estar à disposição das autoridades para colaborar com as investigações, respeitando o sigilo médico e a privacidade dos pacientes.


Investigação busca esclarecer possíveis responsabilidades


O avanço das investigações dependerá da análise individualizada de cada atendimento, dos exames laboratoriais e dos registros médicos.


Também será necessário determinar se as complicações decorreram das condições clínicas preexistentes dos pacientes, de riscos associados aos procedimentos ou de eventuais falhas na assistência hospitalar.


Para as famílias, a investigação representa a possibilidade de obter respostas sobre as circunstâncias em que seus filhos morreram.


Até a conclusão das apurações, os relatos permanecem sob investigação, sem comprovação de que os óbitos tenham uma causa comum.


Com informações da TV Globo e da Secretaria da Segurança Pública de São Paulo. Reportagem adaptada e redigida por O Brasileiro.



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