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PF descarta indícios de crime em mensagens entre Moraes e Vorcaro

A Polícia Federal avalia que não há indícios de crime nas mensagens trocadas entre o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, e o banqueiro Daniel Vorcaro. O entendimento ocorre porque não é possível recuperar o conteúdo das conversas, segundo apuração do portal Metrópoles.



Os registros analisados pela PF, pela Procuradoria-Geral da República (PGR) e pela defesa de Vorcaro indicam apenas que houve troca de mensagens entre os dois. No entanto, como os diálogos teriam sido enviados no modo de visualização única, não é possível acessar ou recuperar o teor do que foi discutido.


Dessa forma, investigadores ouvidos pela reportagem afirmam que não há base técnica para fazer inferências sobre o conteúdo das conversas, o que impede qualquer conclusão de natureza criminal. Por esse motivo, a Polícia Federal também não elaborou relatório ao Supremo Tribunal Federal sobre o caso — situação diferente do que ocorreu em relação ao ministro Dias Toffoli.


Segundo a avaliação de investigadores, a associação feita pelo jornal O Globo entre anotações registradas por Vorcaro em um bloco de notas e as mensagens enviadas ao ministro teria sido baseada apenas na coincidência de horários entre os registros das anotações e os horários das conversas.


Na visão de integrantes da Polícia Federal, esse tipo de inferência poderia reproduzir métodos investigativos baseados em conjecturas, prática frequentemente atribuída à Operação Lava Jato e que o atual comando da corporação afirma buscar evitar.


O relatório com os registros das mensagens está sob posse apenas da Polícia Federal, da Procuradoria-Geral da República e da defesa de Vorcaro. Já a CPMI do INSS possui apenas dados extraídos da nuvem do celular do banqueiro, que não incluem qualquer troca de mensagens entre Moraes e Vorcaro.


O que consta nos arquivos enviados à comissão são apenas anotações soltas em um bloco de notas, sem identificação de destinatário. Nos mesmos documentos aparecem nomes de diversas figuras públicas, como o senador Irajá Abreu (PSD-TO) e o presidente do União Brasil, Antonio Rueda, também sem relação direta com os textos registrados.


Um dia antes de ser preso, Vorcaro afirmou ter recebido um envelope contendo um HD com suas conversas lacrado e na presença de um tabelião. Segundo ele, o material não seria acessado nem mesmo por seus advogados e permaneceria guardado em um cofre, podendo ser aberto apenas em seu computador pessoal e também na presença de um tabelião.


A pedido da Polícia Federal, o ministro do STF André Mendonça, relator do caso na Corte, determinou a abertura de uma investigação para apurar de onde partiu o vazamento das informações sobre a troca de mensagens entre Moraes e Vorcaro — se da própria PF, da Procuradoria-Geral da República ou da defesa do banqueiro.


A corporação também questionou o fato de Vorcaro ter sido filmado durante sua transferência para Brasília.


Com informações do Metrópoles.

 
 
 

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