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EDITORIAL | Basta! A democracia não pode ser protegida com menos democracia

31 de ago.
1 min de leitura

Em 31 de março de 1964, o Correio da Manhã estampou seu histórico “Basta!”. Dias depois, o Brasil mergulharia em uma ruptura institucional que inauguraria uma ditadura de 21 anos.


A história nos ensinou, da pior maneira, que medidas apresentadas como necessárias para “salvar a democracia” podem abrir portas para algo muito maior.


Em 1968, o AI-5 levou esse processo ao extremo: ampliou os poderes do regime, restringiu direitos e liberdades e aprofundou a repressão política.


É justamente por isso que qualquer decisão que restrinja a participação de um candidato em uma eleição deve ser tratada com enorme cautela.


A Justiça Eleitoral tem o dever de fiscalizar. Mas democracia também significa garantir ao eleitor o direito de ouvir, comparar e escolher.


O nosso “basta” de hoje não é contra Renan Santos, contra o Missão ou contra qualquer outro candidato. É contra a normalização de medidas excepcionais que possam limitar a liberdade política.


A última vez que o Brasil permitiu que restrições extraordinárias fossem justificadas como necessárias para preservar a ordem e as instituições, o resultado foi o aprofundamento de um regime autoritário.


Que a história de 1964 e do AI-5 sirva de alerta.

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