Alta do petróleo pressiona diesel, caminhoneiros relatam falta em postos e risco de impacto no abastecimento de alimentos
- Por Alex Souza Jr
- há 1 dia
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A forte alta do petróleo no mercado internacional já começa a provocar reflexos no abastecimento de diesel no Brasil.

Caminhoneiros relatam dificuldades para encontrar o combustível em postos de diferentes regiões do país, enquanto transportadores e importadores alertam para o risco de impacto direto na logística e no abastecimento de alimentos.
Há registros de falta temporária de diesel em cidades do Rio Grande do Sul, Minas Gerais e no interior de São Paulo, além de relatos pontuais em outras regiões. Em alguns casos, postos informam que aguardam reposição das distribuidoras.
A pressão ocorre em meio à disparada do barril do tipo Brent, que voltou a operar na faixa dos US$ 108 no mercado internacional, movimento associado às tensões geopolíticas envolvendo o Irã. Com isso, o diesel já registrou alta próxima de R$ 1 por litro em apenas uma semana em diversas regiões do país. No setor de transporte, a avaliação é de que, caso a escalada continue, o combustível pode se aproximar de R$ 8 por litro nas bombas.
Caminhoneiros relatam dificuldade para abastecer
Motoristas que atuam no transporte de cargas afirmam que a combinação entre preço elevado e dificuldade para encontrar diesel começa a afetar o planejamento de viagens, o cumprimento de rotas e a formação do valor do frete.
O transporte rodoviário responde pela maior parte da circulação de mercadorias no Brasil, incluindo alimentos, combustíveis e produtos industrializados. Por isso, qualquer instabilidade no fornecimento de diesel pode gerar reflexos diretos na logística e nos preços ao consumidor.
Petrobras afirma que abastecimento segue normal
A Petrobras informou que o abastecimento de diesel no país segue dentro da normalidade. Segundo a estatal, a produção nas refinarias e a distribuição do combustível estão ocorrendo normalmente, sem restrições de fornecimento.
Mesmo assim, caminhoneiros e proprietários de postos relatam casos pontuais de estabelecimentos sem diesel, o que é atribuído a atrasos logísticos, aumento repentino da demanda e mudanças no comportamento do mercado.
ANP apura situação no Rio Grande do Sul
Diante dos relatos, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) iniciou uma verificação mais detalhada no Rio Grande do Sul, onde produtores rurais e transportadores também apontaram dificuldades para adquirir o combustível.
Segundo a agência, a apuração inicial indica que os estoques são suficientes e que a produção segue normalmente pela Refinaria Alberto Pasqualini (Refap), principal fornecedora da região. Ainda assim, a ANP notificará distribuidoras para que informem volumes disponíveis, pedidos recebidos e pedidos efetivamente atendidos. Caso sejam identificadas irregularidades ou recusa injustificada de fornecimento, medidas administrativas poderão ser adotadas.
Importadores suspendem compras de diesel
O cenário se agravou com a suspensão das compras de diesel por parte dos importadores. De acordo com o presidente da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), Sergio Araújo, a decisão foi tomada diante do temor de que a Petrobras não repasse integralmente os preços internacionais dos derivados ao mercado interno.
Segundo ele, com a alta do petróleo, o diesel importado ficaria inviável para venda no Brasil caso os preços internos não acompanhem a cotação internacional. “A partir do momento em que existe incerteza sobre o repasse dos preços internacionais, o importador para de comprar. Ninguém vai assumir prejuízo”, afirmou.
Atualmente, cerca de 30% do diesel consumido no país é importado. Araújo alerta que, sem a retomada das compras externas, os estoques existentes garantem o abastecimento por aproximadamente 15 dias.
Risco para transporte e abastecimento de alimentos
Especialistas do setor avaliam que, se a alta do diesel persistir e houver falhas na reposição do combustível, os impactos podem atingir diretamente o transporte de cargas e o abastecimento de supermercados em todo o país.
Além dos caminhoneiros, a situação também preocupa o agronegócio, que depende do diesel para operar máquinas agrícolas e escoar a produção. No curto prazo, transportadores apontam que o maior risco é a logística de distribuição de alimentos e produtos essenciais, especialmente em um país fortemente dependente do modal rodoviário.



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